Criação e Seleção de Aves Domésticas de Raças Puras

Bankiva
Carolina Grey
Faisão Canário
Ganso Cereopsis
Pavão de Ombros Negros
Perdiz da California
Tadorna Tricolor

Perus

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Tanto a nível doméstico como comercial não é difícil criar perus.

São necessários alguns cuidados como boas condições de manejo, de higiene e alimentação, principalmente até o sexto mês de vida dos peruzinhos. Daí em diante, tornam-se resistentes e rústicos.

São criados especialmente para produção de carne, com opção para a venda de peruzinhos de um dia, ovos para incubação além de comercializar penas, animais jovens também tem boa aceitação no mercado e o esterco é muito útil para utilização nas hortas.

Cada peru produz anualmente cerca de 50 quilos de esterco, excelente em hortas e canteiros.

Você pode começar a criação de peruzinhos de um dia, com aves adultas, aves jovens, ou ainda comprando ovos e colocando para incubar. Se você dispõe de área pequena, crie os perus em confinamento, construa abrigos sobre ripados ou coloque no chão palha seca.

Escolha uma das seguintes raças: Holandês Branco (White Holland), Bourbon Vermelho (Bourbon Red), Mamouth Bronzeado (Broad Brested Bronze) e Beltsville Branco (USDA Betsville White).

As mais adaptadas ao Brasil são a Mamouth Bronzeada, que produz mais carne e o Holandês Branco, de carne tenra e delicada.

Existem também os perus pequenos, semelhantes a uma galinha e o Peru Bronzeado de Peito Largo, também de pequeno porte, que são exóticos e utilizados para ornamentação.

 

 

PERUS DE UM DIA

 

Coloque os peruzinhos em abrigos cobertos, dentro de criadeiras mantendo uma lâmpada acesa para aquecimento até um mês de vida.

Vacine as aves contra New Castle até o quarto dia de vida pingando uma gota da vacina no olho ou na narina. Forneça água fresca e limpa trocada diariamente, lave os bebedouros. Forneça nos primeiros dias de vida ração para pintos de um dia ou ração inicial para pintos, ovos cozidos picados, misturados com cebola picada, cebolinha e salsinha bem cortadinhas, verdura picada à vontade (menos alface).

Aos 21 dias vacine as aves contra a Bouba Aviária, seguindo as recomendações do fabricante. Depois de 30 dias forneça ração para crescimento. Como os peruzinhos são muito delicados, é interessante colocar na porta do abrigo uma caixa contendo cal queimada e toda vez que o tratador entrar no local, desinfete a sola dos sapatos com o produto. Para melhor desenvolvimento dos perus, coloque uma caixa contendo uma mistura igual de areia, carvão de madeira em grãos e farinha de ostras. A areia ajudará na trituração dos alimentos, possibilitando melhor assimilação pelo organismo, a farinha de osso ou de ostra suprirá as necessidades de cálcio.

 

POSTURA

 

Nos locais de criação, coloque caixotes com palha ou cestos para a postura de ovos. Evite que a perua ponha ovos no ninho de outra. Em geral a primeira postura é de 30 a50 ovos com redução de 30% no segundo ano. Peruas precoces chegam a por 80 ovos na primeira postura. Recolha os ovos diariamente, marque a data e número da perua e guarde-os para incubar na mesma perua se a criação for pequena, ou em incubadoras em criações maiores. Uma perua pode chocar até 25 ovos, sendo ótimas chocadeiras. Observe-as durante esse período porque às vezes elas não saem do ninho nem para comer ou beber água.

Coloque comida e água ao alcance delas, nas proximidades dos ninhos. Assim que nascerem os peruzinhos coloque-os em criadeira ou deixe com as peruas que chocaram, em galpão coberto, com chão de palha. Pode usar uma gaiola grande, com piso de tela ou ripado.

Para obter bons resultados o melhor é criar os perus em galpões dando-lhes alimentação especial de engorda (se a criação se destinar ao abate), neste caso a partir dos cinco meses de idade, assim ganham peso entre 20 a 60 dias.

Se acontecer canibalismo entre eles aumente o teor de proteína na alimentação e forneça bastante verde.

Se o criador utilizar chocadeira elétrica, os ovos devem ser virados três vezes ao dia. Os peruzinhos nascem com 28 a 30 dias de incubação seja ela natural ou artificial.

Se a incubação for natural, as peruas são ótimas mães, chegam a chocar até 25 ovos, mas a média é entre 15 a 18 ovos. Você p ode utilizar além das próprias peruas, galinhas caipiras que chocam de 8 a 11 ovos cada uma.

 

 

PERUS – Período Crítico

 

 

O período crítico da criação é chamado “Crise do Vermelho”. Acontece nos 3 primeiros meses, principalmente nas épocas de geadas, dias frios e chuvosos, ventos fortes ou quando a criação se expõe ao sol intenso por várias horas. A crise é violenta e em geral sobrevivem as aves bem alimentadas, com boa saúde e de procedência idônea.

Após os 3 meses de idade, em dias secos e ensolarados tire os peruzinhos da criadeira e deixe-os ao ar livre por períodos curtos, recolha-os depois. Após os 6 meses de idade, solte-os no quintal.

Construa abrigos e poleiros iguais aos de galinhas e deixe os perus nesse local. Um metro linear de poleiro é suficiente para 2 perus adultos. O melhor é fazer as instalações já para adultos, os perus crescem rapidamente. Mantenha os poleiros limpos, pulverize tudo com desinfetante, coloque ripas no chão (piso ripado) ou cama de palha bem seca. Mude a cama e limpe tudo muito bem semanalmente. Abata os perus dos 5 aos 8 meses, dependendo da raça e do tamanho. Escolha os melhores para reprodutores, tanto os machos como as femeas. Coloque 1 macho de 9 a 10 meses de idade para 6 a 8 femeas de 8 meses. Separe os lotes para evitar brigas entre os machos na disputa das femeas. O ideal é colocar um macho em rodízio a cada 2 dias com cada plantel de femeas.

São conhecidos dois sistemas de reprodução: a reprodução em rebanhos e a reprodução em famílias. Para o criador prático, em geral a reprodução em rebanhos é a mais indicada, pois a reprodução em famílias requer do criador viveiros e cercados, além de algumas anotações indispensáveis para o controle de acasalamentos para o bom andamento da criação.

Na reprodução em rebanhos contam-se 8 a 10 peruas para cada peru, segundo a idade e o peso do animal.

Um macho fecunda com uma cópula 12 ovos. O primeiro ovo fecundado pode ser esperado 1 dia depois da cópula, mas normalmente é mais aconselhável esperar uma semana para obter todos os ovos fecundados.

Uma cópula dura 2 a 3 semanas.

O primeiro cuidado de todos aqueles que pretendem criar qualquer espécie de animal deve ser o abrigo deles, pois caso contrário pode-se contar com perdas. O peru cuja descendência da forma selvagem pode ser comprovada, ainda se mostra bastante refratário as condições climáticas, podendo ser acomodado sem abrigos especiais em criações extensivas. Os animais adultos procuram pousada para a noite, voltando sempre ao mesmo lugar. Havendo árvores nas proximidades do terreno, geralmente são estas as escolhidas para o repouso. Esse método não deve ser empregado para filhotes.

Uma das desvantagens do sistema extensivo encontra-se na quase impossibilidade de controlar os animais nos acasalamentos correndo-se o risco de consanguinidade. Conta-se entretanto com a vantagem de economizar as despesas de abrigos, no entanto sempre é mais aconselhável erguer um alpendre para os perus nas proximidades do quintal para abrigá-los de chuvas fortes que às vezes provocam doenças as quais podem ter consequencias indesejaveis. Tal alpendre para os animais adultos ou de criação extensiva consiste num telhado apoiado sobre quatro estacas e se possível de uma parede ou muro lateral, que se encontra do lado da direção principal do vento, a fim de oferecer um abrigo contra ele. Sob o telhado se encontra o poleiro a cerca de 1/2 metro de altura do chão. O telhado é feito num plano inclinado.

 

A principal época de postura é de julho a setembro, entretanto as aves mais precoces já fornecem bons ovos em maio e junho. Os ovos cuja eclosão não se der no prazo de 28 a 30 dias, podem ser considerados inúteis, podendo ser aproveitados na alimentação de porcos ou para estêrco.

 

Algumas doenças são mais comuns nos perus, principalmente nos filhotes, tais como:

 

Enterepatite ou histomoníase, mais conhecida por “crise dos corais” ou “cabeça negra”, é a doença mais temida pelo criador de perus, surgindo geralmente na idade de 4 a 12 semanas mas pode ser também mais tarde. As aves perdem a vivacidade e o apetite, o fígado da ave apresenta manchas de cor amarelada, o apêndice apresenta úlceras nas paredes. Esses indícios são considerados os maiores sinais dessa doença, surgindo também outros sinais, como o aumento do coração e do fígado e uma coloração vermelha no intestino delgado. Essa doença é causada por um parasito (histomona) que ataca também outras espécies de aves. Outro fungo (mycocornea) pode ser o causador, mas provavelmente junto com uma invasão de vermes que ficam nos cecos. É preciso que as aves doentes, não entrem em contato com o solo e sejam isoladas das outras. Perdas podem ocorrer. Foram obtidos êxitos com o emprego de vermífugos a base de piperazina. O leite também ajuda no tratamento, porém ainda não foi possível um tratamento efetivo contra a doença.

 

Pulorose ou disenteria branca ocorre nos peruzinhos, é um germe patogênico chamado “salmonella”, também é encontrado nas aves adultas. Os peruzinhos contraem a doença na idade de 2 a 10 semanas, o contágio pode dar-se pelo ovo de incubação, por isso as aves adultas destinadas à criação devem ser submetidas a um exame de sangue para detectar-se a presença da bactéria. O reconhecimento da pulorose nos perus é relativamente fácil, as aves permanecem sentadas como se estivessem cansadas, ficam pálidas e emagrecem, setem frio e procuram constantemente fonte de calor, apresentam diarréia branca, aparecem pequenos abscessos no coração e no interior dos pulmões, o fígado fica aumentado, apresentam pontos amarelos. O combate a pulorose nos peruzinhos consiste principalmente em trocar a palha da cama com frequência para evitar novas infecções ou em deixar as aves andarem sobre piso ripado. Como bebida dá-se muito leite e uma vez por dia um preparado de sulfa.

 

Coccidiose é uma doença que ataca as aves na idade de 5 a 10 semanas, assemelhando-se no seu desenvolvimento e também em seus sintomas à enterepatite. Há diferentes espécies de coccidiose, a pior é a Eiméria que ataca os cecos. Os peruzinhos têm diarréia amarelo esverdeado. Deve-se separar as aves afetadas das aves sãs.

 

Difteria Aviária é uma doença que pode ser notada principalmente por uma diminuição do apetite da ave logo que surgem os tumores na cabeça e as membranas, típicas da difteria, no bico. Quase sempre os olhos estão inchados e lacrimejando um pouco. É aconselhável vacinar a tempo as criações de perus que já tenham sido vitimas da difteria ou varíola, leva-se em conta que a vacina necessita de cerca de 4 semanas para imunizar a ave, geralmente vacinam-se as aves novas na idade de 4 a 6 semanas, repetindo-se a operação nas aves destinadas a procriação, uns 5 a 6 meses mais tarde. Aplica-se a vacina na parte inferior da asa, devendo-se ter o cuidado de limpar bem os instrumentos após cada inoculação e de usar apenas soros frescos. O vacinante deve ser auxiliado por um ajudante pois é necessário segurar bem a ave, principalmente os adultos.

 

 

Coriza e Sinusite Infecciosa são doenças que aparecem quando o tempo muda ou os animais ficam sem abrigo contra a chuva e frio e ventos fortes. Algumas vezes o aquecimento excessivo dá o mesmo problema e as aves apresentam dificuldade respiratória. A sinusite e a coriza atacam os olhos e o nariz, a inchação da face ganha dimensões extraordinárias fechando completamente os olhos. O melhor preventivo contra essas doenças são os antibióticos e um bom abrigo.

 

Parasitos são diversas espécies de piolhos de aves, uns maiores outros menores. O tratamento dessa praga é feito por meio de inseticidas que podem ser espalhados entre as penas e penugens. Também o percevejo aviário pode ser encontrado nos perus, é sanguesuga e tem quatro pares de patas, nos meses quentes os poleiros devem ser examinados regularmente para constatar a presença de percevejos e ou piolhos. Caso sejam encontrados deve-se retirar as aves e desinfetar todas as instalações bem como os comedouros e bebedouros.

 

Lombrigas geralmente atacam as aves domésticas, deve-se ter o cuidado de observar se as aves estão cansadas, magras e sem vitalidade. Um casual aparecimento de uma ou duas lombrigas não pode ser considerado como verminose, mas por segurança, neste caso já se administra as aves um vermífugo. A solitária é frequente entre os perus. Até agora não se conhece remédio seguro para o combate da solitária, conhecem-se medicamentos que separam os membros, não desgrudando entretanto, a cabeça. Seria melhor eliminar a tempo as moscas por meio de um pó inseticida ou por gases inseticidas, cuidando também de eliminar qualquer monte de estrume/estêrco nas imediações. Caso existam maiores quantidades de estrume/estêrco, devem ser recobertos por cal virgem ou por clorato de cálcio, para impedir que ali se desenvolvam culturas de moscas.

 

Canibalismo ou bicagem é um vício muito alastrado entre perus de criação confinada, alguns animais chegam a morte em consequência dos ferimentos recebidos. As aves novas que sobrevivem ao arrancamento das penas, apresentam frequentemente sinais dos ferimentos, que prejudicam a apresentação da ave. Responsável pelo canibalismo ou bicagem ou ingestão das penas, é de um lado o excesso de lotação dos abrigos, e de outro a temperatura elevada. Em geral o arrancamento de penas começa na base do bico, durante a ingestão de ração sempre aderem alguns resíduos no bico úmido e principalmente na base do mesmo. Quando a lotação é excessiva, as aves procuram apanhar esses resíduos na base do bico das outras, provocando sangrias. A maioria dos perus limpam o bico nas penas das asas assim os resíduos de alimentos aderem ali, onde provocam as bicadas de outras aves. Também ali logo são atingidos e a pele delicada logo sangra. Evitando-se portanto que os perus tenham restos de alimentos aderidos, ter-se-á praticamente eliminado a possibilidade de canibalismo, sem esquecer que o excesso de animais num mesmo local e ambientes abafados, também favorecem o aparecimento do problema. Em vista disso, as rações molhadas foram substituidas vantajosamente por alimentos comprimidos, que além de serem bem aceitos pelas aves, evitam também perdas imprevistas. Presume-se naturalmente que estas rações comprimidas satisfaçam uma maior demanda de vitaminas dos perus em crescimento.

 

Intumescimento das articulações das pernas pode-se evitar com bastante segurança, segundo experiências, mediante administração de terra boa de jardim, misturada à ração (7%). Isto é feito para aves que não entram em contato com terra (criação confinada).

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